sábado, 9 de março de 2019

Dupla diz que golden shower foi ato político contra conservadores

A dupla por trás da depravação compartilhada no Twitter de Bolsonaro diz que tudo não passou de um “ato político”.



Para os responsáveis pela obscenidade praticada no carnaval de São Paulo, que não revelaram suas identidades com medo de represálias, o ocorrido foi um ato político-artístico planejado “com o intuito de comunicar uma mensagem de artistas”.

Em conversa com a Folha, a dupla afirma que o objetivo era se posicionar “contra o conservadorismo e contra a colonização dos nossos corpos e nossas práticas sexuais”.

Os  dois indivíduos, que foram classificados pela Folha de “artistas”, deletaram suas contas em redes sociais e dizem ter saído da cidade por não ter coragem de sair na rua.

Segundo a revista Época, que classificou o ocorrido como uma “performance“, testemunhas afirmam que as “obscenidades não se resumiram apenas ao golden shower e ao manuseio do ânus”.

Um dos envolvidos sacudiu os cabelos molhados de urina, atingindo outras pessoas que estavam próximas. Antes, de acordo com os relatos, ele havia defecado na rua.

O manifesto abaixo foi divulgado pelos responsáveis pelo ato obsceno nas ruas de São Paulo. Confira a íntegra:

"MANIFESTO GOLDEN SHOWER

Ao contrário do que disse o presidente da República, o vídeo que ele tuitou não era “um fervo imoral de carnaval”. Era uma performance, ato de cunho artístico, planejado, com intuito de comunicar uma mensagem de artistas. Nossa performance, portanto, é ATO POLÍTICO. Um ato contra o conservadorismo e contra a COLONIZAÇÃO dos nossos corpos e nossas PRÁTICAS SEXUAIS.

 Nós somos a EDIY, uma produtora pornográfica que trabalha a partir de corpos e desejos desviantes. O PORNOSHOW é uma prática de performance, dança e pornô contra a pornografia tradicional, que COLONIZA e encolhe nossa sexualidade. Nossos corpos e desejos dissidentes rompem com os papéis de gênero machistas e misóginos que enxergam os corpos feminilizados como buracos. Nós estamos ao lado da imoralidade de vidas ditas como irrelevantes e matáveis. Somos os corpos não docilizados da escatologia social. Nossos desejos NÃO DIALOGAM com o sistema sexo-produtivo do CIS-heterossexismo, masculino e branco. Em tempo: não somos homens, somos BIXAS.

Apesar de surpresas com a repercussão do registro da nossa performance, a PORNOSHOW, é importante contextualizar a ação que o presidente e sua turma tiveram acesso via Twitter. Ela é uma resposta ao retrocesso moral e institucional que avança desde o dia de sua posse, porque estamos CANSADAS.

O presidente, frente à enxurrada de críticas nos carnavais de todo país, preferiu produzir outra cortina de fumaça nas redes. Afinal, é mais importante fiscalizar o cu alheio (literalmente) que tratar de administrar o país e dar melhores condições de vida para quem precisa. E nós, a população brasileira, merecemos RESPEITO independente das práticas sexuais, das identidade de gênero, de raça e de classe.

Já que o presidente nos viralizou, propomos uma discussão sobre práticas sexuais não hegemônicas e hegemônicas. Não esperem que transemos para reprodução, tampouco que nos digam como devemos transar. Não estamos aqui para falar o que é certo, errado, ou impor qualquer coisa. Queremos RESPEITO E DIREITOS IGUAIS.

Agradecemos pela divulgação e nos colocamos abertamente a favor do seu impeachment. Os ataques a direitos historicamente conquistados, a licença para matar conferida contra as populações indígenas, invisibilização de populações marginalizadas como nós LGBTTQIAN+, os ataques às mulheres cis e trans e à população negra, quilombola e com diversidade funcional o justificam. Pois estamos sendo MORTAS e nossos direitos sendo violados.

MAS NÓS JÁ COMEÇAMOS E NÃO VAMOS PARAR. Não daremos nenhum passo atrás. Para encerrar a polêmica sobre o carnaval, estamos de acordo com Leandro Vieira, carnavalesco da vitoriosa Mangueira: “O carnaval é a festa do povo, é cultura popular. Não é o que ele acha que é. Ele devia mostrar para o mundo o carnaval da Mangueira, da arte e da luta.”

Fonte Renova Mídia

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