sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

MONTADORAS PAGARAM R$ 36 MILHÕES PARA APROVAR MP NO GOVERNO LULA


De acordo com documentos obtidos pelo jornal O Estado de São Paulo , há indícios de que uma Medida Provisória (MP), editada durante o governo Lula, em 2009, foi comprada por montadoras de veículos por meio de lobby.
A MP 471, assinada pelo presidente Lula em novembro de 2009, esticava  – de 2011 até 2015 – a política de descontos no IPI de carros produzidos nas regiões norte, nordeste e centro-oeste.
Os documentos apontam que a MMC Automotores, subsidiária da Mitsubishi no Brasil, e o grupo CAOA – que fabrica veículos Hyunday e revende Ford, Hyuday e Subaru– pagaram até R$36 milhões a lobistas para conseguir do executivo a assinatura dessa MP.
Na época, a Ford tinha uma fábrica na Bahia. Mitsubishi e CAOA tinham fábricas em Goiás.  A medida deu ao setor incentivos de R$1,3 bilhão por ano.
O texto foi aprovado pelo Congresso e virou a lei 12.218/2010.
Os contratos de lobby, firmados antes de a MP ser aprovada, contam o caminho do dinheiro. Para conseguir os incentivos fiscais, as montadoras pagaram honorários a um consórcio formado pelos escritórios SGR consultoria empresarial, do advogado José Ricardo da Silva, e ao escritório Marcondes e Mantoni empreendimentos,do empresário Mauro Marcondes Machado.
Os emails também falam de reuniões com o então ministro Gilberto Carvalho para tratar da norma quatro dias antes de o texto ser aprovado.
Foram essas mensagens que fizeram surgir suspeitas de corrupção para aprovação da medida.
Numa das mensagens, um homem identificado com o nome falso de Raimundo Lima, reclama da falta de pagamentos da CAO.
A empresa, revendedora da Ford, teria participado das conversas para viabilizar o acordo, mas não pagava os valores combinados.
Na mensagem, Raimundo pede a Eduardo Souza Ramos – sócio-fundador da outra fundadora, a MMC, no Brasil – interferisse e cobrasse esses pagamentos.
O documento também sugere a participação de deputados e senadores na negociação, mas não diz nomes.
A mensagem foi repassada pela secretária do executiva da MMC a Mauro Marcondes, meia hora depois de recebida.
Nela, o remetente dizia que, se o dinheiro não fluísse, poderia expor um dossiê com documentos e gravações que provavam o esquema de corrupção.

Fonte diariodobrasil.org

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